Setup de Rompimento das 10h no Mini Índice: Backtest e Análise Completa

Você já operou um setup que parecia perfeito no papel, mas não entregou o que prometia na prática?
Pois é. Eu também.
E sabe o que eu aprendi com isso? Que backtest não mente. Opinião mente. Backtest não.
Por isso, quando o Tiago — um viewer aqui do canal — me pediu para testar o Setup de Rompimento das 10h no mini índice, eu fiz exatamente isso.
Criei o robô do zero. Rodei o backtest de um ano inteiro. E analisei cada métrica com honestidade.
O resultado? +17,5% de retorno no período. Mas com um problema que eu não esperava.
Fica comigo que eu vou te mostrar tudo — os números, os erros e o que pode melhorar.
O Que É o Setup de Rompimento das 10h?
Tudo começou com uma mensagem do Tiago.
Ele estava assistindo os vídeos aqui do canal e me mandou:
"Tu poderia me dizer se já fez esse teste? Seria no mini índice, tempo gráfico de 15 minutos. Rompimento do candle das 10h ao que fecha às 10:15."
Ele explicou melhor.
O setup é parecido com o ORB — aquele famoso Opening Range Breakout, que é o rompimento da primeira barra do dia.
Mas com uma diferença fundamental.
A Diferença em Relação ao ORB Tradicional
O ORB clássico usa a primeira barra do pregão. Aquela das 9h às 9:15.
Sabe qual é o problema dessa barra?
Volatilidade excessiva.
Os primeiros 15 minutos são uma loucura. Preço sobe e desce sem direção clara. É o famoso "hora do caos".
O setup do Tiago resolve isso esperando a poeira baixar.
Em vez de operar às 9h, ele opera a barra das 10h às 10:15.
Mais calmo. Mais definido. Com players institucionais já posicionados.
Regras Completas do Setup
O setup tem regras claras. Quase cirúrgicas.
Candle sinal: máxima e mínima da barra das 10h-10:15.
Entrada: rompimento imediato da máxima (compra) ou mínima (venda). Não espera o candle fechar.
Volume: 3 contratos.
Stop Loss: 1x a amplitude da barra do sinal. Se a barra teve 200 pontos de amplitude, o stop é 200 pontos.
Saída parcial: ao atingir 1x amplitude, sai com 2 contratos. Move o stop para zero a zero no restante.
Take Profit final: 2x amplitude da barra no contrato que sobrou.
Limite de entrada: não opera após 12h.
Encerramento: fecha tudo às 17:30.
Máximo: 1 operação por dia.
Simples? É. Mas será que funciona?
Como o Setup Funciona na Prática
Aqui que a coisa fica interessante.
O setup tem uma característica especial que o diferencia do ORB comum.
O Ajuste Dinâmico de Máxima e Mínima
Pensa comigo.
E se o candle das 10h-10:15 NÃO for rompido?
O que acontece?
O setup não força entrada.
Em vez disso, ele pega o candle seguinte — das 10:16 às 10:30 — e usa a máxima e mínima dele como nova referência.
E se esse também não for rompido?
Pega o próximo.
E assim vai, candle a candle, ajustando a máxima e mínima até que o rompimento aconteça.
Sacou a inteligência disso?
Você não fica tentando adivinhar direção. Você espera o mercado mostrar a mão.
Gerenciamento de Risco e Saídas
O gerenciamento é onde a mágica — e o problema — acontecem.
Você entra com 3 contratos.
Quando atinge 1x amplitude da barra, sai com 2. Isso é a parcial.
Aquele contrato que sobra? Vai até o take profit final — 2x amplitude.
E se o trade virar contra você?
O stop loss protege. É sempre 1x amplitude da barra.
A lógica é boa na teoria. Mas os dados mostraram algo que eu preciso te contar.
Resultados do Backtest — 1 Ano de Dados
Chega de teoria. Vamos aos números.
Eu rodei o backtest no ano inteiro de 2025. Capital inicial de R$ 10.000. Sem otimização nenhuma — setup puro, como o Tiago pediu.
Métricas de Performance
Os resultados foram:
Métrica | Valor |
|---|---|
Resultado final | R$ 11.749 |
Lucro líquido | +R$ 1.749 |
Rentabilidade | 17,5% no período |
Taxa de acerto | 68,15% |
Profit Factor | 1,07 |
Drawdown máximo | 35% (R$ 4.743) |
Total de negociações | 415 |
Ganho médio | R$ 98,22 |
Perda média | R$ 196 |
Maior ganho | R$ 338 |
Maior perda | R$ 603 |
Sharpe Ratio | 2,35 |
17,5% de retorno em um ano.
Parece bom, né?
Mas tem um porém. E é um porém grande.
Análise da Curva de Capital
A curva de capital contou uma história interessante.
Fevereiro e março — bons resultados. Subida consistente.
Abril a julho — drawdown pesado. Praticamente 4 meses no vermelho. A conta caiu de R$ 10.000 para abaixo de R$ 6.000.
Agosto a setembro — recuperação forte. Grande subida.
Final de setembro — lateralização. O mercado ficou sem direção.
35% de drawdown máximo.
Isso significa que, em algum momento, você viu quase metade do seu patrimônio desaparecer.
Você aguentaria isso?
O Problema Que Eu Encontrei
E aqui chegamos no ponto mais importante desse artigo.
A perda média é praticamente 2x maior que o ganho médio.
Deixa eu repetir isso.
Perda média: R$ 196.
Ganho médio: R$ 98,22.
Quando você erra, perde o dobro do que ganha quando acerta.
Mesmo com 68% de taxa de acerto.
Mas como isso é possível?
Por Que a Perda é Maior Que o Ganho?
A resposta está no gerenciamento. Mais especificamente, na saída parcial.
Pensa comigo.
Quando o trade dá certo, você sai com 2 contratos na parcial. Sobra apenas 1 para buscar o take profit final.
Você ganha com a "mão menor".
Agora, quando o trade dá errado?
Você leva stop com os 3 contratos completos.
Você perde com a "mão cheia".
Entendeu o problema?
A parcial te protege de perder lucro. Mas também te impede de ganhar grande.
Já o stop loss não tem parcial. Quando vem, vem com tudo.
O Papel da Saída Parcial
Eu sou fã de realização parcial. Sempre fui.
Mas esse backtest me fez repensar.
A parcial funciona muito bem quando você está em sequência de acertos. Você garante lucro cedo.
O problema é que ela reduz seu ganho médio de forma sistemática.
Enquanto isso, as perdas continuam cheias.
O resultado?
Profit Factor de 1,07. Que é baixo. Muito baixo.
Para você ter uma referência, um Profit Factor saudável fica acima de 1,5.
Veredito — Vale a Pena?
Então, depois de tudo isso, o setup vale a pena?
Vale. Mas com ressalvas.
Ele mostrou lucro. 17,5% no ano não é nada desprezível.
A taxa de acerto de 68% é boa.
O setup é simples, replicável e automatizável.
Mas ele precisa de otimização.
Principalmente nesse ponto: a relação entre ganho e perda.
Próximos Passos
Se eu fosse trabalhar nesse setup, eu olharia para:
1. Revisar a saída parcial. Talvez sair com 1 contrato ao invés de 2. Ou eliminar a parcial e ir direto no alvo.
2. Ajustar o break-even. Ele pode estar tirando você de trades que iriam recuperar.
3. Adicionar filtros de tendência. Operar apenas quando o mercado está direcional, evitando a lateralização.
4. Testar outros timeframes. Talvez 5 minutos ou 30 minutos performem diferente.
O próprio Tiago, depois de conversar comigo, sugeriu alguns desses pontos.
E sabe o que eu pensei?
Que esse é exatamente o tipo de otimização que eu adoro fazer.
Se você quer ver esse processo completo — a otimização passo a passo, os testes, os resultados — deixa um comentário aqui embaixo.
Se a gente tiver bastante interação, eu faço um vídeo dedicado a isso.
Resumo e Conclusão
Deixa eu resumir tudo que a gente viu.
O Setup de Rompimento das 10h é uma variação inteligente do ORB. Em vez de operar na volatilidade da abertura, ele espera o mercado se definir.
O backtest de 1 ano mostrou +17,5% de retorno, com 68% de acerto e Profit Factor de 1,07.
O problema claro: a perda média é 2x maior que o ganho médio, causado pela saída parcial que faz você ganhar com volume menor e perder com volume total.
O drawdown de 35% é considerável. Exige estômago.
O setup é válido para trabalhar. Mas pede otimização.
Se você quer ver essa otimização acontecer, comenta aqui embaixo.
E se quer entender o processo completo de criação desse robô, assiste o vídeo que eu mostro passo a passo no SDIN4 Builder.
Se esse conteúdo te ajudou de alguma forma, se inscreve no canal da Sociedade de Investidores no YouTube e assiste o vídeo completo que originou este artigo:
👉 Testei o Setup de Rompimento das 10h no Mini Índice (Vale a Pena?)
Lá eu mostro na prática cada detalhe da criação do robô. Aqui no blog eu trouxe a análise completa dos dados.
Agora me diz: você já operou esse setup? Ou vai começar a testar agora?
Deixa aqui nos comentários. E bora operar com método!

Carlos Eugênio
AutorTrader quant, mestre em Engenharia de Produção (UFPE) e criador da Sociedade de Investidores. Vejo o mercado como ele é: um jogo de probabilidades onde método e execução valem mais que opinião. Se você prefere processo ao invés de achismo, estamos do mesmo lado.
